Wednesday, July 11, 2012

CAFÉ FILHO 1954 - Mediocridade na Presidência

Com o suicídio de Getúlio Vargas, subiu à Presidência quem nunca sequer sonhara em ser o mandatário maior da Nação: Café Filho, um obscuro político do Rio Grande do Norte, que era parte da 'corriola' do 'coronel' político paulista Adhemar de Barros, representante da oligarquia do café. Adhemar, por ironia do destino, nunca conseguiria o que seu 'minion' tirou de letra: ser Presidente da República, mesmo sendo mediocre e inépto. 
Enterro do ex-presidente da Republica (1922-1926) Arthur Bernardes, que morreu em 24 Março 1955, exercedo o cargo de deputado-federal por Minas Gerais. A esquerda o deputado Carlos Luz, Presidente da Câmara dos Deputados e a direita Café Filho, Presidente da República.

Café Filho era 'cria' de Adhemar de Barros, que de-repente se viu alçado à Presidência da República devido ao suicídio de Getúlio Vargas, acossado pela vil U.D.N. 
João Fernandes Campos Café Filho 

* 3 Fevereiro 1899  em Natal-Rio Grande do Norte + 20 Fevereiro 1970 no Rio de Janeiro-RJ. 

Presidente do Brasil entre 24 Agosto 1954 e 8 Novembro 1955, quando foi deposto. 

Café Filho, educado em escola da Primeira Igreja Presbiteriana de Natal, trabalhou como jornalista e advogado, tendo participado da Aliança Liberal na campanha de 1930. Em 1933 fundou o Partido Social Nacionalista [PSN] potiguar, sendo eleito deputado federal em 1934 e 1945. 

Em 1946, entra para o Partido Social Progressista [PSP] fundado, em São Paulo, por Ademar de Barros, em junho de 1946. 

Em 1950 foi indicado para vice-presidência na chapa de Getúlio Vargas, fazendo parte do acordo feito por Adhemar de Barros para apoiar Getúlio.

Com o suicídio de Vargas, em 1954, assumiu a Presidência, exercendo o cargo até novembro de 1955, quando foi afastado do cargo por motivos de saúde, assumindo em seu lugar Carlos Luz, presidente da Câmara, logo em seguida deposto por tentar impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Seu governo foi marcado pelas medidas econômicas liberais comandadas pelo economista Eugênio Gudin.

Nas eleições presidenciais de 1955, o candidato Juarez Távora (UDN), apoiado por Café Filho foi derrotado por Juscelino Kubitschek (PSD), e pelo vice João Goulart (PTB). 

Sob a ameaça de golpe arquitetado pela UDN e uma ala do Exército, Café Filho manteve-se indiferente quanto ao respeito às instituições, o que levou o general Henrique Teixeira Lott, seu ministro da Guerra, a desferir um golpe de Estado preventivo para garantir a posse de Juscelino e a manutenção da democracia no Brasil.

Alegando questões de saúde, Café Filho licenciou-se do cargo de presidente da República alguns meses antes de Juscelino ser empossado, assumindo interinamente Carlos Luz, então presidente da Câmara. Por pressão do general Lott, Carlos Luz foi deposto e impedido de governar, assumindo a presidência interina Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado, ocasionando um estado de sítio e impedimento de Café Filho. A exclusão dos golpistas apoiados pela UDN assegurou a posse dos já eleitos JK e Jango.

O golpista Carlos Luz não teve tempo nem para usar a faixa presidencial, pois foi deposto pelo Marechal Teixeira Lott,  em um golpe preventivo, para assegurar as posses do presidente eleito Juscelino Kubitscheck e o vice João Goulart. Carlos Luz foi presidente do Brasil por apenas 4 dias. 

11 Novembro 2015 - Há 60 anos Presidente Carlos Luz era deposto

por André Araújo em 11 Novembro 2015 no blog de Luis Nassif.

Há 60 anos, em 11 Novembro 1955, o Presidente Carlos Luz, 2o. na linha de sucessão como Presidente da Câmara dos Deputados, agora empossado na Presidência da República devido a doença do ex-Vice-Presidente Café Filho, era deposto por um contra-golpe preventivo do Ministro da Guerra, Marechal Henrique Teixeira Lott, considerando que Luz estava na conspiração visando impedir a posse de Juscelino Kubistchek, presidente eleito em 3 Outubro 1955 pela coligação entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista (PTB), ambos herança de Getúlio Vargas. 

O grupo anti-Juscelino era grande e poderoso. Havia elementos na Aeronáutica, parte menor mas vociferante no Exercito, na UDN e seus satélites e anexos, na Grande Imprensa (sempre golpista) e no que se poderia rotular de 'forças conservadoras'. JK era tido como expressão do grupo getulista (PSD), tendo um vice-presidente do PTB (João Goulart), embora tenham sido eleitos em chapas separadas, pois naquele tempo votava-se separadamente para Presidente e Vice-Presidente.

Carlos Luz calculou mal seu próprio poder naqueles dias conturbados. Para facilitar o golpe contra a posse de JK mandou chamar o Ministro da Guerra, considerado adepto da legalidade constitucional e portanto pró-Juscelino e avisou que estava demitido, devendo entregar o cargo ao novo indicado, General Reformado Alvaro Fiúza de Castro. Marcou a transmissão de cargo para o dia seguinte, mas antes quis humilhar Lott e o deixou esperando na ante-sala do Palacio do Catete por duas horas.

Cada vez que a porta do gabinete presidencial abria Lott ouvia muitas risadas e barulho de copos de whiskey circulando.

À noite, o Marechal Odilo Denyz, liderança respeitada no Exercito, às 2 da madrugada bateu à porta de Lott, eram vizinhos, e convenceu-o a depor o Presidente Carlos Luz porque ele e seu grupo pretendiam impedir por alguma manobra a posse do Presidente eleito. Agent provocateur Carlos Lacerda bradava n' A Tribuna de Imprensa, que Juscelino era legado de Getúlio e não poderia governar e a imprensa golpista ecoava Lacerda, agitando e tumultuando o ambiente politico. O que faz hoje a TV Globo, jornalões de S.Paulo e revista Veja contra a Presidenta Dilma Rousseff.

Carlos Luz pensou que era o Rei da Cocada-Preta por 4 dias... até ser deposto pelo Marechal Lott num contra-golpe fulminante. A direita teria que esperar mais 9 anos para conseguir fazer - agora com a ajuda essencial dos USA - o que não conseguiu em 1955. 

Nas primeiras horas de 11 Novembro 1955, Lott cerca o Palácio do Catete e Carlos Luz foge para o cruzador Tamandaré, sendo a Marinha força ao lado dos conspiradores anti-democráticos. Lott chama o Presidente do Senado, Nereu Ramos, 3o. na linha de sucessão e lhe dá posse imediatamente. 

Carlos Luz e seu grupo, com Carlos Lacerda e lideranças da UDN embarcam no Tamandaré rumo à Santos-SP, esperando apoio do Governador Jânio Quadros, que sequer os atende. 

O contra-golpe de Lott triunfa e Nereu Ramos entrega a Presidência à Juscelino em 15 Janeiro 1956. 

Lott teve menos trabalho para depor o Presidente Carlos Luz do que um soldado teria para trocar o pneu de um caminhão do Exercito. 

Foi cunhada uma frase supostamente dita por Lott considerando o contra-golpe 'um retorno aos quadros constitucionais vigentes'; na realidade a frase fora dita por Otto Lara Rezende, intelectual amigo de Lott. Como consequência, Juscelino teve Lott como Ministro da Guerra do 1o. ao último dia de seu mandato, garantindo-lhe absoluta tranquilidade na área do Exercito (mas não da Aeronáutica).   

Presidente do Senado Nacional, o catarinense Nereu Ramos, é empossado Presidente da República em 11 Novembro 1955. A farsa direitista de Carlos Luz & Carlos Lacerda chegara a um final melancólico (para eles, obviamente).  

Nereu Ramos foi presidente da República  de 11 Novembro 1955 a 31 Janeiro 1956: 2 meses e 21 dias. 
O catarinense Nereu Ramos transmite o cargo de Presidente da República ao mineiro Juscelino Kubischek, tendo ao lado o Vice-Presidente gaúcho, João Goulart em 31 Janeiro 1956.
Café Filho, o calvinista potiguar aético, com a atriz Dulcina de Moraes, quando ainda achava que podia se aliar a golpistas anti-democráticos e tudo acabaria bem... Ele só não contava com a presença decisiva do Marechal Lott. 
dona Leonor Mendes de Barros em tempos jovens. Leonor foi sempre companheira fiel de seu ladino marido Adhemar

2 comments:

  1. A foto do funeral em que aparecem o Presidente da República João Café Filho e o presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, não é de Getúlio Vargas, e sim do ex-presidente da República, e na ocasião deputado federal por Minas Gerais, Arthur Bernardes. A data exata é 24 de março de 1955.

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  2. ao Antonio Ribeiro agradeço profundamente pela correção e esclarecimentos. Realmente, qdo. eu postei essa foto achava que não fazia sentido ter o facínora Carlos Luz e o golpista Café Filho, fazendo honras ao Getúlio Vargas. Agora está tudo explicado. Obrigadissimo, mais uma vez.

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